quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

(In)certezas a vaguear

Eu tenho um cofre muito bem fechado, bem no fundo do meu coração.
A chave, eu sei onde a guardei, mas raras são as vezes que a vou buscar e revejo tudo o que tenho lá dentro. Momentos, sonhos, enfim, memórias...mas será que no meio de todas estas memórias não existem sonhos de menina que passaram a ser sonhos de mulher?
Eu não sei, por isso, também mais ninguém o saberá.
Toda a gente merece uma segunda oportunidade, mas por vezes as coisas complicam-se...Por vezes permitimos que os nossos amigos errem e perdoamo-los vezes sem conta. No entanto, também há aquelas pessoas que o nosso coração não permite errar.
Se por um lado o amor fala mais alto, por outro o coração também grita a dizer que está muito magoado. Ele quebrou-se, e não é nada fácil de se concertar. E se dizem que o tempo cura tudo, neste caso, o tempo não curou nada. Porque eu nunca quis abrir este cofre. Sempre o deixei bem fechado, a sete chaves, e coloquei bem no fundo do meu coração, a chave, essa, guardei-a, num espacinho da minha mente onde se encontram as memórias. Decidi fazê-lo para que não sofresse mais, para que não tivesse aquela tendência de abrir vezes sem conta aquelas memórias.
Mas em 2011 decidi abri-lo...e agora, não o consigo mais fechar. encosto-lhe apenas a porta, e deixo a chave na fechadura. É constante a lembrança de que deveria fazer algo. Mas falta-me coragem, falta-me saber se quero entender as coisas.
De que serve um número de telefone se não se tem coragem de se falar com a pessoa que se encontra do outro lado? De que serve abraçar e chorar se não me pode dar os anos perdidos da minha vida? Os anos em que nunca se lembrou de mim, os anos que eu cresci sem a ter por perto, mas que contudo sinto que está ligada a mim.
Vou encostar de novo a porta...a chave permanece na fechadura. Talvez um dia eu esqueça e perdoe, ou talvez um dia eu feche definitivamente a porta e jogue a fora a chave, para nunca mais poder tocar naquelas memórias!

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